terça-feira, 1 de setembro de 2009

Alphaville Urbanismo recebe o Viva Cotia e fala sobre o empreendimento na Avenida São Camilo.

Foto: Google Earth

Após receber um número crescente de reclamações por conta do desmatamento da área onde está se instalando o empreendimento "Alphaville Granja Viana", o Viva Cotia foi até a empresa Alphaville Urbanismo, em Alphaville, conversar com os responsáveis e saber mais sobre a obra e as prováveis soluções para o impacto que ela vai causar.

Prédio Sede da Alphaville Urbanismo, em Alphaville

Denise Nóbrega, Gerente de Negócios da Alphaville Urbanismo, nos recebeu na presença da assessoria de imprensa da empresa. Por cerca de mais de uma hora, ela falou sobre todo o processo do empreendimento "Alphaville Granja Viana".


Muitas foram as minhas perguntas, desde o impacto no trânsito da região, até a preocupação crescente com a fauna e com a vegetação do terreno. Veja na íntegra as explicações que me foram dadas:

O IMPACTO DA OBRA PARA OS MORADORES DA GRANJA
"Nós sabíamos que naquela região íamos enfrentar esse tipo de polêmica. É uma das últimas áreas que existem ali ainda, e é natural que aconteça isso, é saudável. Enfim, os granjeiros que moram ali, é claro que eles querem preservar o que restou de mata, até porque Carapicuíba é um município muito carente de mata. Não tem investimento nenhum no município, exatamente por que ali não tem a porcentagem mínima de área verde por habitante", disse ela.

AS APROVAÇÕES / LICENCIAMENTOS
"O empreendimento em si, fica em Carapicuíba, então todo o processo de aprovação foi em Carapicuíba. Mas esse processo passou por uma aprovação estadual, porque o licenciamento ambiental é estadual. Então passou pelo Graprohab - Grupo de Análise e Aprovação de Projetos Habitacionais do Estado de São Paulo, e dentro dele, por todas as cadeiras, que são estaduais. E uma delas é o DEPRN, que cuida dos Recursos Naturais. Mesmo sendo uma aprovação dentro de um município, o impacto é avaliado em nível regional. E a geração do impacto foi tratada dentro desse processo também".

Fachada do stand de vendas e maquete mostrando como será o empreendimento

A REUNIÃO SOLICITADA PELO PREFEITO DE COTIA
"Nós atendemos o chamado do Prefeito de Cotia. Tivemos uma reunião com o Prefeito Carlão, que nos procurou por conta de pessoas da Granja estarem questionando o problema do trânsito. Na medida do possível, vamos tentar conciliar todos os interesses. Na ocasião da reunião, o que foi discutido e acertado, é que, apesar do nosso empreendimento estar localizado no município de Carapicuíba, a Alphaville Urbanismo faria um trabalho em parceria com a Prefeitura de Cotia no sentido de tentar chegar a uma solução - ou uma solução completa ou uma amenização desse problema de tráfego.

Denise disse que "não tem milagre". E enfatizou: "A São Camilo já é uma avenida que foi mal ocupada, por que as edificações ficam muito próximas e não se tem como desapropriar e aumentar a caixa da avenida, que seria a solução mais óbvia", disse.

"Combinamos que faríamos a contratação de uma empresa especializada nessas questões de tráfego para fazer um diagnóstico da região hoje", disse deixando claro que já existe o problema de tráfego ali, independente do empreendimento. "A partir desse diagnóstico, que é baseado em contagem, avaliações em diversos horários do dia, vários dias da semana, será feita uma projeção desse aumento de tráfego - que também não seria só com o Alphaville, por que temos uma ocupação lenta se formos comparar com outros tipos de empreendimentos - mas também uma projeção da região como um todo e a partir desse diagnóstico eles fariam sugestões de solução para o problema", falou.

Na reunião com o prefeito Carlão foram discutidas algumas possibilidades com a própria equipe da Prefeitura e "vamos tentar construir essa solução meio que à quatro mãos", disse Denise. A Alphaville ficou responsável por contratar essa empresa e providenciar esses estudos, além de checar um "estudo funcional" que é uma proposta preliminar de solução.

O IMPACTO AMBIENTAL
"Dentro do licenciamento ambiental e dentro do Graprohab, esses impactos foram avaliados. O tráfego, o impacto na vegetação, o impacto na fauna, tudo isso. Obviamente que um empreendimento desse porte sempre tem impacto, não tem como fugir disso. No entanto esses impactos são medidos, e são - na medida do possível - ou mitigados completamente, ou compensados, alguma coisa nesse sentido. E o próprio Estudo Ambiental sugere essas medidas", relatou.

No caso do Alphaville Granja Viana, há uma supressão prevista de vegetação, e segundo Denise, parte dela foi feita já ali na frente onde é mais visível, o que causou todo o impacto.
"No entanto é uma supressão legal, autorizada, analisada pelo DEPRN - nós temos toda essa documentação - e o impacto dessa supressão também foi avaliado dentro do estudo. Medidas foram determinadas para se compensar esse impacto de supressão. É claro que essas medidas vão ser tomadas ao longo de toda obra", disse.

A obra de estrutura deve durar cerca de 24 meses, segundo a empresa.


Maquete do empreendimento e banner ilustrativo

CONSULTORIA AMBIENTAL
"A primeira medida que é tomada em todos os empreendimentos Alphaville - e esse não vai ser exceção, muito pelo contrário - é a contratação imediata de uma consultoria ambiental que vai fazer o monitoramento ambiental dessa obra. Em cima de tudo o que foi levantado no estudo e no processo de licenciamento, essa consultoria é independente, e monitora a obra desde o início até o final", relatou.

Denise explicou que são técnicos das mais variadas especialidades que visitam a obra com uma frequência, e a cada 15 dias produzem um material fotográfico, e fecham um relatório mensal. Nesse acompanhamento e nesse monitoramento, eles olham todos os aspectos levantados no estudo, dentre eles a fauna, a vegetação, vendo se não está tendo supressão em área que não pode e eventualmente se vai precisar ser feito algum trabalho de resgate de fauna ou não.

"Conforme os impactos vão acontecendo vão sendo tomadas as medidas previstas", disse. "É natural que quando você faz uma mexida de supressão de vegetação, tenha um momento, um período de descontrole aí da fauna. Aqueles animais que estavam ali, eles vão tendo que se adaptar. Agora isso é tudo previsto, tudo avaliado. E se você imaginar o seguinte, a supressão que foi prevista ali, de vegetação, que eu acho que é o que causou o impacto visual, se você olhar a área como um todo, você vai ver que o projeto foi implantado em áreas onde 90% são áreas de pastagem, áreas que não tem grande diversidade e que estão em estágios pioneiros de regeneração", explicou. "Às vezes, num primeiro momento, parece que é um impacto grande, mas no fundo não é. Nós não vamos sair desmatando que nem uns loucos em plena Granja Viana, não faz sentido nenhum. Agora, por outro lado, a gente também entende a reação. O que a gente precisa é de um espaço para se manifestar e ir contornando, explicando, e as pessoas tendo também abertura para receber essas informações", concluiu.

O terreno com vista para o Miolo da Granja e parte da mata que será preservada

Denise disse que eles que fazem as coisas certas, acabam pagando pelos que fizeram as coisas erradas. "E você há de convir comigo que teve muita coisa errada na Granja, falta de planejamento", disse. "É claro que eu adoro chegar na minha casa e passar por uma mata esplendorosa daquela, só que eu não olho que onde eu moro tinha uma mata igual, que foi retirada", enfatizou.

"Pelos números do projeto, e a estatística, pelo levantamento de vegetação que aconteceu na área toda, que foi feito com detalhamento, dentro da legislação, a classificação dentro da legislação e tudo o mais, a vegetação ali daquela área, que tem valor ecológico, de diversidade, ela foi integralmente preservada. A ocupação foi só nas áreas de pastagem e em estágio muito inicial de regeneração. Então, no fundo, ninguém vai perder aquela vegetação, o que tem valor ali vai se manter, inclusive vai se tornar um parque de acesso público", disse

ANIMAIS FUGINDO DA MATA E INVADINDO AS CASAS
Citei as várias reclamações que recebi de casas sendo invadidas por morcegos, após o início do desmatamento. Denise falou sobre isso: "Os morcegos se enquadram na categoria de fauna, e o próprio monitoramento ambiental percebe isso e aí propõe as medidas. Com ainda estamos muito no começinho da obra, a população ainda não vai sentir o efeito dessas medidas, por que isso não é de uma hora para outra. É o primeiro momento, faz parte um pouco do processo
", relatou.


Vista da mata, olhada da própria calçada da Avenida São Camilo

BAIXA OCUPAÇÃO

Segundo Denise, a área toda a ser ocupada (área de lote), equivale a 30% do terreno. "Ela não chega a 1/3 da área total, tem uma ocupação muito baixa. Não tinha como ocupar menos. O resto é verde e ruas - altamente arborizadas", disse. "São 333 lotes, sendo 29 comerciais. Fizemos até bastante ginástica para fechar a conta do empreendimento. Porque é um empreendimento caro de se fazer, e com uma área vendável muito baixa", ressaltou.

Denise disse que "é muito legal você conciliar, somar, a Alphaville Urbanismo com a Granja Viana. É uma experiência bem bacana. Conseguir trazer a proposta da Alphaville Nova, não essa Alphaville tradicional que já não se usa mais", concluiu.

Ela nos explicou que a marca Alphaville foi criada na década de 70 pela construtora Takaoka, e de lá para cá evoluiu muito a parte urbanística, e de desenvolvimento de projetos.

ESGOTO E ÁGUAS PLUVIAIS

Quanto às águas pluviais, o empreendimento terá galerias que farão a captação e o direcionamento das mesmas com rede dimensionada para suportar grandes volumes de água, garantindo a drenagem mesmo durante as chuvas mais fortes. Para reduzir o impacto, diversos pontos de lançamento vão receber dissipadores de energia que evitarão possíveis processos erosivos e de assoreamento dos cursos de água.

"Sobre o destino do esgoto, teremos redes duplas de coleta e encaminhamento que correrão debaixo dos passeios, evitando-se a necessidade de rasgar o asfalto no momento de execução das interligações individuais das residências e estabelecimentos comerciais. O esgoto será integralmente coletado e transportado até a Estação Elevatória de Efluentes (EEE) da SABESP e em seguida encaminhado para tratamento na ETE Cotia”, disse.

GRANJA CAROLINA

Para fechar nossa entrevista, perguntamos sobre o projeto da Granja Carolina. Em dezembro de 2007 foi protocolado o EIA - Estudo de Impacto Ambiental, e após ficar mais de 1 ano em análise, ele foi apresentado em duas audiências públicas no começo desse ano.

"Em Cotia foi a audiência mais difícil, mas nada que foi dito é grave, nada que inviabilize o projeto", disse Denise.

O projeto continua em análise na Secretaria de Meio Ambiente, no DAIA - Departamento de Avaliação de Impacto Ambiental.

A ENTREVISTA

"Para nós é legal esse tipo de conversa por que é uma oportunidade que temos de mostrar o que o projeto tem de bom e os cuidados todos que a gente tomou e vem tomando", finalizou.

Fau Barbosa

Fonte: Portal Viva Cotia

3 comentários:

Alexandre disse...

Que empreendimento é este tal de Granja Carolina? Não será o caso dos moradores tomarem conhecimento e se manifestarem antes que mais 300.000m² de mata nativa seja devastado?

Arquiteto disse...

Prezado Alexandre, a Granja Carolina é uma "pequena" área de 10 milhões de m2 localizada em frente a Cotia no km 36 da Raposo que está sendo ameaçada pela mesma empresa que desmatou aí na Granja Viana visite nosso blog:
http://granjacarolinacotiaitapevi.blogspot.com

Mário disse...

"Em Cotia foi a audiência mais difícil, mas nada que foi dito é grave, nada que inviabilize o projeto", disse Denise."

Na audiência foi demonstrado por uma ong que as nascentes que aparecem no mapa da EMPLASA foram milagrosamente "mudades de lugar" no projeto da Alphaville.
Nada de grave foi apresentado?????